Wednesday, January 18, 2006

Máscaras

Eu poderia deixar essa página aqui como está: um simples diário, só com acontecimentos e relatos... na verdade, era isso que eu pretendia, algo mais impessoal, mas nao consigo ficar sem escrever o que sinto de verdade.

Ontem saímos para comprar cerveja e nao vodka, depois fomos à um bar e bebemos mais... um bar muito bom por sinal, pena que era caro demais. Tinha alguns irlandeses lá jogando sinuca e putz... jogavam muito bem, até desisti de desafiar alguém. Depois compramos mais cervejas e voltamos ao hostel. Ficamos numa espécie de cobertura, deitamos num colchao, conversando... Estavam lá só a colombiana, um argentino novo, chamado Ulisses e os chilenos. Foi bem agradável, mas logo o povo ficou com frio e descemos. Todos desanimaram e foram dormir, mas eu fiquei conversando com a Manuela ainda algum tempo. Muito gente boa ela, me lembra um pouco o jeito de uma pessoa importante pra mim no passado. Acho que é o jeito de rir, nao sei bem. Mas enfim, depois ela também foi dormir e resolvir ir tomar café numa lanchonete aqui perto.

Nao dormi nada hoje, porque fiquei com medo de dormir demais e nao estar acordado quando a Manuela fosse embora. Bom, os chilenos já se foram agora, mas o fato de nao ter mais a companhia deles nao é o que me incomoda de verdade. Quero dizer, era legal, mas nao tenho nenhum problema quanto a estar sozinho, tô bastante acostumado a isso. O problema mesmo é que continuo errando do mesmo jeito, continuo nao fazendo o que quero, nao sendo quem quero, continuo com medo de mim. Eu escrevi algo pra Manuela hoje de manha, nao criado por mim, era só uma poesia de alguém sobre algo que acho quer faria sentido no momento, mas resolvi nem dar a ela. Como resolvi nao dizer muita coisa que gostaria... a ela e a muitos outros. Eu sei o motivo de tudo isso. É bem claro pra mim, mas talvez nao seja tao simples quanto eu achava que era. Eu poderia ser diferente, eu sei o que preciso pra isso, mas escolho nao ser. Há algo de masoquista, porque é simplesmente impossível nao me sentir a pior pessoa do mundo, cedo ou tarde. Eu tenho fumado cerca de 1 carteira de cigarros por dia (o que dói mais no bolso que no peito) e tentado me manter bêbado ou simplesmente mais alegre sempre que possível. Sempre que paro pra refletir sobre as coisas, penso como tudo que tenho feito nos últimos... nao sei, 7 anos (?) poderia ter sido diferente. E entao me sinto tao sufocado que parece que vou explodir.

Nao há nada de errado com o mundo. Ou melhor, há, mas nao errado o suficiente pra fazer com que nao consiga viver normalmente. O que quero dizer é que nao culpo o destino, a sorte, o que for. Eu sei que eu crio meu próprio inferno. Mas também nao preciso de alguém pra me dizer o que fazer. Eu só tenho que descobrir uma maneira sensata de me livrar de mim mesmo.

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